Sim, lembro que há um ano voltava para casa depois de um dia de estoque alienante...
agora, volto pra casa depois de dez dias da sensação maravilhosa de se estar produzindo e fazendo o que gosto.
Não lembro porque eu fiz esse blog. Faz menos de um ano... resolvi que escreveria um pouquinho do outro jeito, de uma maneira mais livre.
Também necessitava escrever, as emoções corriam...
Foi um ano absolutamente frustrante, a gente tem que assumir quando alguma coisa não dá certo. Me envolvi de um jeito errado nas coisas... perdi uma grande amizade, fui "rejeitada" por todo o tipo de pessoa...
Profissionalmente, cresci muito. Mas muito mais por causa da minha própria iniciativa do que pelo trabalho ou faculdade... com certeza, sei muito mais do que o dobro do que eu sabia há um ano, quando o jornalismo era só uma idéia na minha cabeça.
Sou daquelas que acredita ano novo, em renovação... nas energias que se dispersam e se acalmam um pouco... talvez seja por causa do verão, ou mesmo por causa das datas símbolos, das festas, das mensagens de perdão e felicidades...
fato que meu ano sempre começa bem. sempre assim, espero que agora não seja diferente.
Talvez desative ou pare de alimentar esse blog em 2011
talvez não...
só espero ter um pouco mais de sorte... e perceber quando uma pessoa não está me fazendo bem... em algum sentido, quero ter conseguido aprender com tudo isso.
domingo, 26 de dezembro de 2010
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
O segredo de seus olhos
Ele olhava fixamente para ela. Podia ser coincidência, um virar de olhos no último segundo antes do flash. Enquanto todos os outros se postavam inocentemente, a menina olhando alheia ao chão, e os outros dois sem qualquer pista do que estava prestes a acontecer (ou quem sabe já havia ocorrido, não sei, no passado tudo é um pouco confuso...).
Tal como no filme, os olhos diziam tudo, desvendavam o crime oculto por anos de mágoas e até superações (por que não? não seria melhor compreender sempre?).
Eu, ali e aqui, a distância dos anos e o segredo então revelado e que me fazia rever a história toda. Minha história. Sempre pensando que poderia ter sido comigo, atingida por cacos e migalhas que sobraram. Típico drama que é e deve ser esquecido. Episódio que sabe se esconder lá no fundo da alma, que causa enjôo mas não mata....
É impossível não ter pena daquela menina, desaparecida nos outros tantos anos. Ela agora adulta, tudo passado, reconstruída mas sempre frágil. Todas suas faces já conhecidas e aquele choro que pedia pelo pai ou pela mãe. A mãe distante e eu tendo que socorrê-la, dentro da minha pequenez, tentando livrá-la de sua angústia errada de criança, me sentindo então forte... de repente, mamãe chegava e era ais uma vez criança, menor e indefesa.
Tudo sinalizava para o fato. Desde o nascimento, aquela menina indicava alvoroço. Já eu, era a outra que placidamente me colocava de canto, protegida sempre pelo pai, fiel seguidora e companheira. Ele sabe? Ele já soube? Desconfiou, ao menos?
Anos de terapia para ela sozinha compreender e abandonar as mágoas. Agora, era tudo mudado, tudo compreendido e só a minha dor latente permanecia como herança desses anos de ignorância completa sobre uma aberração. Mais um pouco, e ele acaba, levando memórias de adulto consigo no caixão. E depois..?
Tal como no filme, os olhos diziam tudo, desvendavam o crime oculto por anos de mágoas e até superações (por que não? não seria melhor compreender sempre?).
Eu, ali e aqui, a distância dos anos e o segredo então revelado e que me fazia rever a história toda. Minha história. Sempre pensando que poderia ter sido comigo, atingida por cacos e migalhas que sobraram. Típico drama que é e deve ser esquecido. Episódio que sabe se esconder lá no fundo da alma, que causa enjôo mas não mata....
É impossível não ter pena daquela menina, desaparecida nos outros tantos anos. Ela agora adulta, tudo passado, reconstruída mas sempre frágil. Todas suas faces já conhecidas e aquele choro que pedia pelo pai ou pela mãe. A mãe distante e eu tendo que socorrê-la, dentro da minha pequenez, tentando livrá-la de sua angústia errada de criança, me sentindo então forte... de repente, mamãe chegava e era ais uma vez criança, menor e indefesa.
Tudo sinalizava para o fato. Desde o nascimento, aquela menina indicava alvoroço. Já eu, era a outra que placidamente me colocava de canto, protegida sempre pelo pai, fiel seguidora e companheira. Ele sabe? Ele já soube? Desconfiou, ao menos?
Anos de terapia para ela sozinha compreender e abandonar as mágoas. Agora, era tudo mudado, tudo compreendido e só a minha dor latente permanecia como herança desses anos de ignorância completa sobre uma aberração. Mais um pouco, e ele acaba, levando memórias de adulto consigo no caixão. E depois..?
domingo, 7 de novembro de 2010
Mais cinco semanas de tardes vazias, de dias quentes e desejos insatisfeitos. De lembranças e confusões, de vida corrida e até mesmo sem sentido.
Mais cinco semanas de reclamações, de cansaços, de sonhos ruins, de olhares enviesados, de desesperanças, intranquilidades.
Muita saudade (mas essa não passa nunca).
Mais cinco semans de questionamentos, procuras e decepções. De brigas, lágrimas, risos (alguns, sempre), de vontade de continuar a conversa sempre mais.
Mais cinco semanas de tudo isso que eu não aguento mais, de eu mesma, aqui nesse mundo, nessa cidade nesse contexto, sem conseguir escapar. Presa a alguns quilômetros, a algumas expectativas. Presa a própria vida, e tentando sempre que possível ser feliz.
Não vejo a hora. De mudar de paisagem, mudar de pessoas, ver outra realidade. De chegar o Natal e comer bem. De passar o ano e escolher uma roupa nova e uma cor de calçinha. De viajar muito, de me renovar mais um pouco e reabrir meu coração. Abrir minha mente, meu peito, meus braços e todas essas coisas que o dia a dia fecha de pouquinho.
Mais cinco semanas de reclamações, de cansaços, de sonhos ruins, de olhares enviesados, de desesperanças, intranquilidades.
Muita saudade (mas essa não passa nunca).
Mais cinco semans de questionamentos, procuras e decepções. De brigas, lágrimas, risos (alguns, sempre), de vontade de continuar a conversa sempre mais.
Mais cinco semanas de tudo isso que eu não aguento mais, de eu mesma, aqui nesse mundo, nessa cidade nesse contexto, sem conseguir escapar. Presa a alguns quilômetros, a algumas expectativas. Presa a própria vida, e tentando sempre que possível ser feliz.
Não vejo a hora. De mudar de paisagem, mudar de pessoas, ver outra realidade. De chegar o Natal e comer bem. De passar o ano e escolher uma roupa nova e uma cor de calçinha. De viajar muito, de me renovar mais um pouco e reabrir meu coração. Abrir minha mente, meu peito, meus braços e todas essas coisas que o dia a dia fecha de pouquinho.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Reiniciar
É tudo uma mentira bem contada para todos nós. Choro e espero passar.
Engraçado como as palavras tem escapado. Não todas, mas aqueles duplos sentidos que me eram tão úteis. Agora tudo parece tão objetivo. Até mesmo o vazio nas coisas, e o cheio. É tudo assim, sem mais. Te vejo feliz, sorrindo de um jeito irritante (porque ainda não consegui deixar de sentir uma pontada de raiva, ódio ou qualquer coisa assim) sempre cercado de umas pessoas bonitas, homens e mulheres todos sempre rindo muito. Nenhum deles tem o cabelo ruim... São todos magros, felizes, bonitos... como você quer ser.
Já eu, caminho para outros lados... os mesmos de sempre, tentando fingir uma seriedade adquirida. Curtindo cada vez mais meu viver. Tirando aquelas horas... alguns momentos em que tudo simplesmente some e me vejo sozinha outra vez. Que volto a ser desacostumada com o mundo.
Sem mais ficção, sem mais poema. Sem cartas, sem amor sem nada. Com elas todas, eles sempre a vagar, entrando e saindo, exigindo respostas de uma lua em aquário que eu busco entender e que me faz perseguir a luz branca e fraca sem sentido, sempre buscando a liberdade e o afeto, misturando o apego com meu ego... enfim, não suportando mais minha própria cama. Dormindo e acordando sempre relutante... querendo a inércia, negando a crueza dos fatos.
Engraçado como as palavras tem escapado. Não todas, mas aqueles duplos sentidos que me eram tão úteis. Agora tudo parece tão objetivo. Até mesmo o vazio nas coisas, e o cheio. É tudo assim, sem mais. Te vejo feliz, sorrindo de um jeito irritante (porque ainda não consegui deixar de sentir uma pontada de raiva, ódio ou qualquer coisa assim) sempre cercado de umas pessoas bonitas, homens e mulheres todos sempre rindo muito. Nenhum deles tem o cabelo ruim... São todos magros, felizes, bonitos... como você quer ser.
Já eu, caminho para outros lados... os mesmos de sempre, tentando fingir uma seriedade adquirida. Curtindo cada vez mais meu viver. Tirando aquelas horas... alguns momentos em que tudo simplesmente some e me vejo sozinha outra vez. Que volto a ser desacostumada com o mundo.
Sem mais ficção, sem mais poema. Sem cartas, sem amor sem nada. Com elas todas, eles sempre a vagar, entrando e saindo, exigindo respostas de uma lua em aquário que eu busco entender e que me faz perseguir a luz branca e fraca sem sentido, sempre buscando a liberdade e o afeto, misturando o apego com meu ego... enfim, não suportando mais minha própria cama. Dormindo e acordando sempre relutante... querendo a inércia, negando a crueza dos fatos.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
A coisa dentro da coisa
e guimarães nos diz, sábio que era... que o Diabo está dentro de Deus
e tentar parar o mundo é parar Deus, é se defrontar com o Diabo
que o mundo é rio, é fluido imprevisível
e viver é a incerteza é não ter confirmação nenhuma nunca
e então eu me pergunto o porque da expectativa? se nada é certo, porque esperamos? e se não há nada mais humano do que esperar, desejar
eu não quero esperar, eu não quero pensar, quero apenas viver e fazer sem ter que entender os lados da história
assim como o Jõe Bexiguento assim como o jagunço que só vive já é e pronto
mas não, a minha não é assim... a minha é mutável é a coisa dentro da coisa que sou eu e mais tudo que está dentro de mim e que vem e vai sem porque...
domingo, 26 de setembro de 2010
O que posso dizer?
Aguardem os próximos capítulos... hoje eu só tenho uma noite de domingo no fim, um trabalho pra entregar e uns minutos confusos na lembrança
Casamento
O noivo continha a tentação de olhar pelo reflexo do vidro.
A ansiedade acumulada de horas esperando, com aquele terno simples, que ele nem mesmo estava acostumado a usar. As famílias, a chuva que não parava de cair. Sentia um nervosismo, que vem quando se anuncia uma grande mudança.
A noiva, não muito longe. Linda, todos olhando pra ela. Um vestido branco e uma flor. Mordia os lábios (hábito não tão raro, mas que hoje tinha um outro sentido). Via ele de costas, via todos. Nem que seja em sonho, toda mulher imagina o dia em que entra no seu casamento. Mas é diferente quando se está ali, e todos te esperam.
Todos entraram, os passos de coreografia, a cerimônia, antiga, mas não sem menos significado. Não, a música não era a clássica. A voz que lembrava um pouco ela, a vida dela.
E ela parou por alguns segundos pra ver se entendia o que acontecia. Talvez tentasse entender naqueles instantes o sentido... ou a emoção.
Enfim seguiu seus passos. E de repente, era esposa. Mulher, agora sem mais dúvidas. E amanheceria ao lado do mesmo homem com quem dormiu ontem, homem que era agora mais seu. Só seu...
A ansiedade acumulada de horas esperando, com aquele terno simples, que ele nem mesmo estava acostumado a usar. As famílias, a chuva que não parava de cair. Sentia um nervosismo, que vem quando se anuncia uma grande mudança.
A noiva, não muito longe. Linda, todos olhando pra ela. Um vestido branco e uma flor. Mordia os lábios (hábito não tão raro, mas que hoje tinha um outro sentido). Via ele de costas, via todos. Nem que seja em sonho, toda mulher imagina o dia em que entra no seu casamento. Mas é diferente quando se está ali, e todos te esperam.
Todos entraram, os passos de coreografia, a cerimônia, antiga, mas não sem menos significado. Não, a música não era a clássica. A voz que lembrava um pouco ela, a vida dela.
E ela parou por alguns segundos pra ver se entendia o que acontecia. Talvez tentasse entender naqueles instantes o sentido... ou a emoção.
Enfim seguiu seus passos. E de repente, era esposa. Mulher, agora sem mais dúvidas. E amanheceria ao lado do mesmo homem com quem dormiu ontem, homem que era agora mais seu. Só seu...
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
ontem, pegava no sono deitada na cama de minha mãe
tudo era absolutamente aconchegante e familiar
me senti em casa novamente, repousando sem culpa nenhuma, o sono que chegava devarinho e ia me tomando
foi nessa hora que me veio a idéia
de escrever uma carta de amor
será que já escrevi alguma na vida?
não me lembro...
já escrevi declarações, muitas, mas tão ingênuas que não poderia chamá-las com um nome tão impetuoso carta de amor
esse nome remete a algo rasgado, um tanto sensual e exagerado, como que escrito com sangue
não, em nada tem a ver com páginas de caderno rabiscadas com canetas coloridas...
começaria assim:
quando te vi, pela primeira vez, não me apaixonei
não notei nem mesmo sua presença
posso dizer que mal me lembro daquela noite
muito menos de você
na segunda, já estava no quarto copo de cachaça, mas já tinha intenção de abandonar a bohemia
por algumas horas, é claro
nesse dia, confundi você com um outro qualquer e depois saí sorrateiro, esperando não ser reconhecidao
foi quando você me seguiu...
passaram se muitas noites nesse ritmo...
hoje, pensando, acho que te troquei pelo álcool
teve um dia, esse sim, que me encontrava completamente lúcido
foi quando peguei na sua mão a primeira vez
sim, foi nesse dia que pude ver o brilho de seus olhos
um brilho de sono, muito sono... e você dormiu mais que tudo aquela noite, para me sorrir no dia seguinte com esperança
foi logo depois que você desapareceu
fico pensando em qual rua você foi parar... se fosse bonita, até saberia onde te encontrar
mas uma moça tão sem graça, pode ter ido pra qualquer lugar nessa cidade
eu parei de procurar já faz tempo
perdi a vontade
perdi também a esperança
mas se você ler isso algum dia ( e jogarei essa carta como um avião de papel)
saiba que ainda te espero sem razão
só por esperar porque nada mais tenho a fazer
tudo era absolutamente aconchegante e familiar
me senti em casa novamente, repousando sem culpa nenhuma, o sono que chegava devarinho e ia me tomando
foi nessa hora que me veio a idéia
de escrever uma carta de amor
será que já escrevi alguma na vida?
não me lembro...
já escrevi declarações, muitas, mas tão ingênuas que não poderia chamá-las com um nome tão impetuoso carta de amor
esse nome remete a algo rasgado, um tanto sensual e exagerado, como que escrito com sangue
não, em nada tem a ver com páginas de caderno rabiscadas com canetas coloridas...
começaria assim:
quando te vi, pela primeira vez, não me apaixonei
não notei nem mesmo sua presença
posso dizer que mal me lembro daquela noite
muito menos de você
na segunda, já estava no quarto copo de cachaça, mas já tinha intenção de abandonar a bohemia
por algumas horas, é claro
nesse dia, confundi você com um outro qualquer e depois saí sorrateiro, esperando não ser reconhecidao
foi quando você me seguiu...
passaram se muitas noites nesse ritmo...
hoje, pensando, acho que te troquei pelo álcool
teve um dia, esse sim, que me encontrava completamente lúcido
foi quando peguei na sua mão a primeira vez
sim, foi nesse dia que pude ver o brilho de seus olhos
um brilho de sono, muito sono... e você dormiu mais que tudo aquela noite, para me sorrir no dia seguinte com esperança
foi logo depois que você desapareceu
fico pensando em qual rua você foi parar... se fosse bonita, até saberia onde te encontrar
mas uma moça tão sem graça, pode ter ido pra qualquer lugar nessa cidade
eu parei de procurar já faz tempo
perdi a vontade
perdi também a esperança
mas se você ler isso algum dia ( e jogarei essa carta como um avião de papel)
saiba que ainda te espero sem razão
só por esperar porque nada mais tenho a fazer
Tira essa muro!!
quem colocou esse muro no meio do caminho?
faz o favor de tirar, que assim fica difícil
aliás, quando é que apareceu essa barreira? antes não era assim
tanto não era assim, que nem percebíamos uma a outra
só éramos e pronto
claro, sentíamos a ausência
mas a presença, a presença não era sentida
e afinal, sabemos nos ligar no fim de semana
e conseguimos ainda com facilidade protestar juntas
mas para todo o resto, tentamos nos falar debruçadas no parapeito da murada
mas é complicado, fica sempre engasgado na garganta
e olha que agora ela tem até celular....
faz o favor de tirar, que assim fica difícil
aliás, quando é que apareceu essa barreira? antes não era assim
tanto não era assim, que nem percebíamos uma a outra
só éramos e pronto
claro, sentíamos a ausência
mas a presença, a presença não era sentida
e afinal, sabemos nos ligar no fim de semana
e conseguimos ainda com facilidade protestar juntas
mas para todo o resto, tentamos nos falar debruçadas no parapeito da murada
mas é complicado, fica sempre engasgado na garganta
e olha que agora ela tem até celular....
felizcidade
doi
de novo
mas hoje me sinto tão honestamente bem só
resolvi olhar umas fotos
e me perdi em outros tempos
não faz tanto tempo assim, pouco mais de um ano
muito mais que um ano
outra vida quase, três meninas (e porque não dizer logo: bonitas)
aquela felicidade que se dilui no sol, caminhadas nunca em vão... uma emoção
a plenitude sabe? aquilo foi a plenitude de nossas vidas, a completa realização dos nossos desejos
a saciedade, os homens, os doces, a comida, bebida, cigarro, cidade, música
o tango... o poema e o teatro
aquele espanhol sussurrado em nossos ouvidos
porque sentíamos que estávamos sempre no canto certo, e rodávamos, andávamos sempre em começo, em partida
perfeito e o tempo tratou de apagar os defeitos, as imperfeições deixando centenas de fotos bem tiradas de algumas meninas felizes caminhando por aí
de novo
mas hoje me sinto tão honestamente bem só
resolvi olhar umas fotos
e me perdi em outros tempos
não faz tanto tempo assim, pouco mais de um ano
muito mais que um ano
outra vida quase, três meninas (e porque não dizer logo: bonitas)
aquela felicidade que se dilui no sol, caminhadas nunca em vão... uma emoção
a plenitude sabe? aquilo foi a plenitude de nossas vidas, a completa realização dos nossos desejos
a saciedade, os homens, os doces, a comida, bebida, cigarro, cidade, música
o tango... o poema e o teatro
aquele espanhol sussurrado em nossos ouvidos
porque sentíamos que estávamos sempre no canto certo, e rodávamos, andávamos sempre em começo, em partida
perfeito e o tempo tratou de apagar os defeitos, as imperfeições deixando centenas de fotos bem tiradas de algumas meninas felizes caminhando por aí
sábado, 28 de agosto de 2010
De hoje em diante, preciso me encontrar
Preciso Me Encontrar
Cartola
Composição: Candeia
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar...
Só Vou Gostar de Quem Gosta de Mim
Roberto Carlos
Composição: Rossini Pinto
De hoje em diante
Vou modificar o meu modo de vida
Naquele instante que você partiu
Destruiu nosso amor
Vou modificar o meu modo de vida
Naquele instante que você partiu
Destruiu nosso amor
Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar
De esperar enfim
E pra começar eu só vou gostar
De quem gosta de mim
Cansei de esperar
De esperar enfim
E pra começar eu só vou gostar
De quem gosta de mim
Não quero com isso dizer que o amor
Não é bom sentimento
A vida é tão bela
Quando a gente ama e tem um amor
Não é bom sentimento
A vida é tão bela
Quando a gente ama e tem um amor
Por isso é que eu vou mudar
Não quero ficar chorando até o fim
E pra não chorar
Eu só vou gostar de quem gosta de mim
Não quero ficar chorando até o fim
E pra não chorar
Eu só vou gostar de quem gosta de mim
Não vai ser fácil eu bem sei
Eu já procurei
Não encontrei meu bem
A vida é assim
Eu falo por mim
Pois eu vivo sem ninguém
Eu já procurei
Não encontrei meu bem
A vida é assim
Eu falo por mim
Pois eu vivo sem ninguém
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
caminhar vazio
ela me persegue para todos lugares... no meu hosróscopo, nas presenças bem e mal vindas e sobretudo nos olhares... esses me vem como uma falta de ar, que sou obrigada a fisgar como se me fosse bem vindo.
às vezes, ao andar por aí sou de repente atordoada em uma loucura qualquer em qualquer qualquer coisa... e como um devaneio, penso em me atirar num canto, mas então dou um berro (ainda que baixo, alto o suficiente para ser um berro) e depois, respiro fundo, mas como um soluço e então percebo que estou sozinha
as vezes me sinto sozinho e é bom... andar sozinho comigo
ultimamente tenho sido perdida
e procuro
sei que não devo procurar
quando a gente procura, as coisas passam por nosso olhos
e é por isso que a gente tem que parar de procurar
mas aqui estou eu e ela vem me apertar de novo
essa tal emoção
que eu não sei de onde saiu
nem pra onde vai
sei só que dói muito
e a cada dia a dor se torna um pouco de lembrança
e o colorido e quente vai se tornando frio... mas frio e cinza
e até a comida agora tem sempre o mesmo gosto
o mesmo gosto
sempre
às vezes, ao andar por aí sou de repente atordoada em uma loucura qualquer em qualquer qualquer coisa... e como um devaneio, penso em me atirar num canto, mas então dou um berro (ainda que baixo, alto o suficiente para ser um berro) e depois, respiro fundo, mas como um soluço e então percebo que estou sozinha
as vezes me sinto sozinho e é bom... andar sozinho comigo
ultimamente tenho sido perdida
e procuro
sei que não devo procurar
quando a gente procura, as coisas passam por nosso olhos
e é por isso que a gente tem que parar de procurar
mas aqui estou eu e ela vem me apertar de novo
essa tal emoção
que eu não sei de onde saiu
nem pra onde vai
sei só que dói muito
e a cada dia a dor se torna um pouco de lembrança
e o colorido e quente vai se tornando frio... mas frio e cinza
e até a comida agora tem sempre o mesmo gosto
o mesmo gosto
sempre
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Tributo a São Paulo... ou a amizade
Sou paulistana, daquelas que treme de emoção ao cruzar a paulista e que se sente em casa só de ver aqueles prédios altos com um relógio eletrônico. São Paulo é como um sinônimo de vida e eu não me imagino em outro lugar.
Dizem em outros cantos que somos frios: eu digo que é só aparência. Ouvi alguém falar uma vez que o mano, o mano não podia ter nascido em outro lugar. Tá, não temos praia, vivemos em uma selva de pedra, o trânsito é caótico, a poluição é insuportável. Mas aqui é a cidade da camaradagem.
É um lugar de se fazer grandes amigos. Tudo é mais ou menos glamour e praticidade e se aprochegar na casa do colega se torna banal em poucas semanas.
Nem sei porque comecei a escrever isso. Talvez por causa do que me aconteceu justamente hoje.... em meio a hora do rush, atravessando a cidade. Calhei de pegar uma carona com uma amiga minha, uma dessas pessoas esclarecidas, práticas e felizes, dentro do que é possível se chamar felicidade. Até então, estava pairando em outros mundos, imersa nos meus problemas existenciais, nas minhas angústias e na minha iminente e incontrolável carência.
A conversa se enveredou por caminhos aleatórios, como acontece com os bons papos. Fato foi que, enquanto ela me contava de seu namorado e da sua vida, pequenas carências e necessidade de soluções... as coisas foram me parecendo mais suaves. O trânsito na avenida era tão mais leve quanto mais a conversa evoluía e confesso que cheguei a desejar que o farol fechasse em alguns momentos.
Aí está... talvez um café com cortinas vermelhas e intelectuais com cigarros (ah, estes foram proibidos) ou quem sabe um por de sol ma-ra-vi-lho-so na praia fosse o cenário ideal para esse momento. Mas porque um “momento” não pode acontecer entre uma esquina e outra, parado num quarteirão de uma rua qualquer, esperando uma luzinha verde acender...
Dizem em outros cantos que somos frios: eu digo que é só aparência. Ouvi alguém falar uma vez que o mano, o mano não podia ter nascido em outro lugar. Tá, não temos praia, vivemos em uma selva de pedra, o trânsito é caótico, a poluição é insuportável. Mas aqui é a cidade da camaradagem.
É um lugar de se fazer grandes amigos. Tudo é mais ou menos glamour e praticidade e se aprochegar na casa do colega se torna banal em poucas semanas.
Nem sei porque comecei a escrever isso. Talvez por causa do que me aconteceu justamente hoje.... em meio a hora do rush, atravessando a cidade. Calhei de pegar uma carona com uma amiga minha, uma dessas pessoas esclarecidas, práticas e felizes, dentro do que é possível se chamar felicidade. Até então, estava pairando em outros mundos, imersa nos meus problemas existenciais, nas minhas angústias e na minha iminente e incontrolável carência.
A conversa se enveredou por caminhos aleatórios, como acontece com os bons papos. Fato foi que, enquanto ela me contava de seu namorado e da sua vida, pequenas carências e necessidade de soluções... as coisas foram me parecendo mais suaves. O trânsito na avenida era tão mais leve quanto mais a conversa evoluía e confesso que cheguei a desejar que o farol fechasse em alguns momentos.
Aí está... talvez um café com cortinas vermelhas e intelectuais com cigarros (ah, estes foram proibidos) ou quem sabe um por de sol ma-ra-vi-lho-so na praia fosse o cenário ideal para esse momento. Mas porque um “momento” não pode acontecer entre uma esquina e outra, parado num quarteirão de uma rua qualquer, esperando uma luzinha verde acender...
quarta-feira, 30 de junho de 2010
são tres da manhã e a responsabilidade vai chegando, chegando
eu tenho que escrever sobre arte grega e essas coisas todas e meu cérebro mal funciona
mas esse aperto no peito, essa poética me chama mais
porque talvez seja na solidão da madrugada que as pessoas sejam mais suas
não sei explicar, mas me pegou de jeito uma vontade de qualquer coisa
são aquelas coisas maiores que o mundo, ventos que nunca param de passar...
dá pra explicar? eu digo que não... só é assim e pronto
eu tenho que escrever sobre arte grega e essas coisas todas e meu cérebro mal funciona
mas esse aperto no peito, essa poética me chama mais
porque talvez seja na solidão da madrugada que as pessoas sejam mais suas
não sei explicar, mas me pegou de jeito uma vontade de qualquer coisa
são aquelas coisas maiores que o mundo, ventos que nunca param de passar...
dá pra explicar? eu digo que não... só é assim e pronto
sábado, 26 de junho de 2010
Perdido
A inocência se foi...
essa ingenuidade boba que admirávamos tanto e que proclamávamos...
esfacelou-se. Assim e pronto. Desconstrução completa, mal restam os cacos.
Passa uma, duas, três... e as semanas não deixarão de passar, os dias que não anunciam nada, apenas o seu próprio ritmo frenético.
A cerveja perdeu seu gosto familiar e tornou-se amarga: tudo tornou-se amargo até mesmo o sorriso... Que sorriso?
A alegria que chega chorada
(quando dormir é um alívio)
A primeira grande decepção amorosa, o primeiro dia de adultas
Um pouco maiores, um pouco mais marcadas, a esperança já inexiste
Vamos decretar o ano novo:
e viva 2010 e meio!!!
sábado, 12 de junho de 2010
Passado bem passado
a distância sempre segura de uma fronteira
a terra que nos separa mas também os dias
me faz pensar numa pequena esperança de que talvez nos encontrassemos de novo
e fica o gosto bom de uma noite, e nada mais
e tudo tão hermeticamente perfeito e sujo
que talvez deva assim permanecer
que grite-se ao mundo: que eu fui desejada
e retorno dessa viagem um pouco mais mulher
menina
que me fez envolver-me inteira no meio dos cadeados do meu coração (e do dela também)
e se é difícil eu me levar, fui sem esperar a volta...
e de repente
incomunicável, quebra a minha rotina na sua, espera uma resposta que eu não sei dar
e eu me sinto pequena, mas tão pequinininha que mal caibo em minhas roupas
agora sou eu quem espero
mas não vem resposta não vem solução
e na noite eu procuro com medo de ser deixada
medo de ficar sozinha, mas meu maior medo é de tê-la abandonado
são coisas maiores que o mundo e de repente, parecem tão frágeis e únicas....
saudade de semana passada e dos nossos banquetes e sonhos apressados
e que esses sábados nos permitam qualquer coisa que se perdeu
domingo, 23 de maio de 2010
ódio
causado pelo vazio... pela-midiaticamente falando, nessa porra de sociedade cibernética-tela vazia uma duas e outras tantas vezes
ou pelo se cruzar calado. ao vivo, rostos que se desviam
o querer viver e o medo de ter vivido
diário web sem sentido
meias palavras soltas e perdidas, alguém as lerá?
sexta-feira, 21 de maio de 2010
E no rol das decepções amorosas, é o orgulho que sempre sai perdendo.
Vai andando aqui e ali, procura-se um ou outro, em cada canto uma promessa e uma desesperança...
E nessa horas, compreende-se que o outro ali perto-longe, já não é mais o mesmo de ontem, já não é mais aquele que viu-se atravessando a rua no outro dia...
E essa necessidade cruel de se por em palavaras só demonstra que é ali no meio do esôfago (de lado com o coração, mas totalmente desconectado) que tudo acontece: das maiores perdas aos sorrisos incontroláveis.
Nem três dias e noites seguidos seria suficientes para uma recuperação devidamente justa....
mas é isso, e sigo cantando.
Vai andando aqui e ali, procura-se um ou outro, em cada canto uma promessa e uma desesperança...
E nessa horas, compreende-se que o outro ali perto-longe, já não é mais o mesmo de ontem, já não é mais aquele que viu-se atravessando a rua no outro dia...
E essa necessidade cruel de se por em palavaras só demonstra que é ali no meio do esôfago (de lado com o coração, mas totalmente desconectado) que tudo acontece: das maiores perdas aos sorrisos incontroláveis.
Nem três dias e noites seguidos seria suficientes para uma recuperação devidamente justa....
mas é isso, e sigo cantando.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
coisas que combinam: sábado noite augusta
A rua Augusta talvez seja o símbolo supremo de São Paulo.
De dia, o comércio e suas galerias.
A noite, os bares cheios de pessoas esquisitas, ricas ou pobres, vestindo-se e mostrando-se.
Os letreiros coloridos, neon, a luminosidade cor de rosa, verde, amarela.
Um ambiente que se faz aconchegante, aos poucos, na familiaridade do lugar. Rua que se muda a cada quarteirão ou semana.
Seus tipos esquisitos desfilam, os emos e as putas, os gays e os boys, e de leve uma certa tensão.
Mas todos se sentem ali, inclusos em algo, pertencentes a um lugar, necessariamente bebendo uma cerveja, esperando um programa, um encontro, uma porção...
De dia, o comércio e suas galerias.
A noite, os bares cheios de pessoas esquisitas, ricas ou pobres, vestindo-se e mostrando-se.
Os letreiros coloridos, neon, a luminosidade cor de rosa, verde, amarela.
Um ambiente que se faz aconchegante, aos poucos, na familiaridade do lugar. Rua que se muda a cada quarteirão ou semana.
Seus tipos esquisitos desfilam, os emos e as putas, os gays e os boys, e de leve uma certa tensão.
Mas todos se sentem ali, inclusos em algo, pertencentes a um lugar, necessariamente bebendo uma cerveja, esperando um programa, um encontro, uma porção...
segunda-feira, 29 de março de 2010
Nada que faça sentido
E era quando a ressaca passava que se iniciava a sempre confusa seqüência de pensamentos.
O vulto que se colocava nas poucas memórias era quase sempre o mesmo e era também sempre igual a sensação de pertencimento, mas um pertencimento diferente, constituído apenas da certeza do vago, do fluído e inconstante.
Quase inconscientemente, éramos levados sempre ao mesmo contrato, com todos que perpassavam nossos caminhos e esse talvez fosse o único ponto em que concordávamos. Os dias, mas principalmente as noites, eram sempre iguais e aquela rotina cansativa se repetia até que a distância me fazia descansar, finalmente.
Mas agora, iniciava-se um novo ano e aquela repetição parecia interminável, ao mesmo tempo que o temor de que se acabasse para sempre também era presente. Enfim, prosseguia sem me mexer, sem tentar mudanças, apenas esperando uma consciência de ambos para o não realizável, para aquilo que está além do plano da comunicação, para o que sabíamos impossível, para, enfim, o dia em que nossos caminhos simplesmente se desviassem para sempre e só restassem umas poucas lembranças que a pinga esqueceu de apagar.
segunda-feira, 8 de março de 2010
E éramos nós...
Nessa noite, já era tarde quando entrei pela porta de casa, saí da rua e respirei um ar cuja poeira era minha velha conhecida.
Todos dormiam.
As luzes apagadas tornavam aquela sala desconhecida, o sofá meio fora de lugar, meu pai como sempre deitado ali, no sofá, os olhos fechados e essa noite ele não poderia fazer nada para me ajudar.
Não significa, e nunca significará, que me abandonaram. Mas agora cada um sonhava sua noite e todos (por isso me senti um pouco mais sozinha) tinham aquele mesmo ritmo, a mesma temperatura do sono.
É esse o momento exato em que deixamos de pertencer a um lugar... o amor é o mesmo, o aconchego também, mas alguma coisa é diferente e as luzes já são de outra cor.
Daí então
Foi de carinho, de carinho em carinho que cheguei aqui
Se fosse o contrário, já aqui não estaria
Se fosse o contrário, já aqui não estaria
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